domingo, 24 de março de 2013

Fernando Pessoa - Documentário (série Grandes Portugueses)


"A Poesia de Fernando Pessoa" do canal YouTube CarlosAlbertoDidier.
Documentário sobre a vida e a obra de Fernando Pessoa, produzido e realizado pela Rádio Televisão Portuguesa (RTP1), integrado à série "Os Grandes Portugueses" e difundido em 20 de Março de 2007.
 
Documentário muito interessante e rico em informações sobre o grande poeta Fernando Pessoa.

Obras de Fernando Pessoa para download grátis

Fernando Pessoa (1888-1935)

Fernando Pessoa (1888-1935) foi o principal escritor do Modernismo português e, ao lado de Camões, foi um dos maiores poetas portugueses de todos os tempos. Em 1895, foi para a África do Sul com a mãe e o padrasto. Voltou a Portugal, em 1905, escreveu em inglês ainda durante algum tempo, altura em que resultou a obra 35 sonnets, publicada em 1918.
Além da poesia, Pessoa colaborou em várias revistas literárias da época, como Orpheu. Mas é a poesia de Fernando Pessoa que mais chama a atenção.
A singularidade e criatividade do autor são incomparáveis em toda a literatura de língua portuguesa e, talvez, em toda a literatura universal. Tais atributos devem-se à intrigante questão da heteronímia. Pessoa tinha 3 heterónimos principais (Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos), mas também escrevia em seu próprio nome.
O poeta, através do seu nacionalismo, procura reviver o sonho da grandiosidade de Portugal.

A seguir, faça download grátis de obras de Fernando Pessoa: 

 
» Ultimatum
 
» A Voz do Silêncio
 
» Mensagem
 
» À Memória do Presidente-Rei Sidónio Paes
 
» 35 Sonnets
 
» Antinous

Fonte: Universia Portugal  

domingo, 17 de março de 2013

Santarém do Pará - Pérola do Tapajós

Santarém é um município brasileiro do estado do Pará. Pertence à mesorregião do Baixo Amazonas e à microrregião de Santarém. Situa-se na confluência dos rios Tapajós e Amazonas. Localizada a cerca de 800 km das metrópoles da Amazônia (Manaus e Belém), ficou conhecida poeticamente como "Pérola do Tapajós".
Em 2012 sua população foi estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 299 419 habitantes, sendo então o terceiro município mais populoso do estado do Pará (atrás apenas de Belém e Ananindeua), o sétimo mais populoso do norte do Brasil e o 83º de todo o país. Ocupa uma área de 22 887,080 km², sendo que 77 km² estão em perímetro urbano.
Fundada em 22 de julho de 1661, é uma das cidades mais antigas da Amazônia. Em 1758 foi elevada a categoria de vila e quase um século, em consequência de seu notável desenvolvimento, foi elevada a categoria de cidade em 1948. Está incluída no plano das cidades históricas do Brasil.
Por causa das águas cristalinas do Rio Tapajós, conta com mais de 100 quilômetros de praias que mais se parecem com o mar. É o caso de Alter do Chão, conhecida como "Caribe Brasileiro" e escolhida pelo jornal inglês The Guardian como uma das praias mais bonitas do Brasil e a praia de água doce mais bonita do mundo. Lá é o palco de uma das maiores manifestações folclóricas da região, o Sairé, que atrai turistas do mundo todo. 

Mais informações: http://pt.wikipedia.org/wiki/Santar%C3%A9m_%28Par%C3%A1%29

Vista aérea da cidade de Santarém - Pará

                                                           Orla de Santarém - Pará

                                                Praia de Alter-do-Chão - Santarém do Pará

                                                                   Festa do Sairé

                                                               Boto Cor de Rosa

                                        Sedução da Cabocla pelo do Boto Cor de Rosa

                                                                      Boto Tucuxi

                                                       Sedução da Cabocla pelo Boto Tucuxi
Visitem esta bela cidade e conheçam sua rica cultura e belos pontos turísticos!!!







Pequeníssimas livrarias - Little free library

A “Little Free Library” é uma organização que cria essas pequeníssimas livrarias – que lembram aquelas casinhas para passarinhos – e está espalhada por todo o mundo. Os livros são gratuitos, basta pegar. E você também pode, e deve, deixar livros nas caixinhas. Ou seja, uma mini-livraria, de graça, e comunitária!
 A ideia é promover a leitura e o senso comunitário entre as pessoas.
Você pode conhecer mais sobre o projeto, e até ajudar, entrando no site deles. http://www.littlefreelibrary.org/

sábado, 16 de março de 2013

20 poemas de Carlos Drummond de Andrade selecionados pela Universia

Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 31 de outubro de 1902 - Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi um poeta, contista e cronista brasileiro. Trabalhou durante um bom tempo como funcionário público, apesar de ser formado em farmácia.


Faça download grátis da obra completa do autor Machado de Assis

A morte de Machado de Assis completará 105 anos em 2013. Em seus 103 anos, 29/09/2011, para homenagear um dos grandes nomes da Literatura Brasileira, o portal Domínio Público, a biblioteca digital do MEC, em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Linguística (NUPILL), da Universidade Federal de Santa Catarina disponibilizou a Coleção Digital Machado de Assis.

A coleção reúne a obra completa de Machado de Assis para download gratuito e engloba conto, poesia, crônica, teatro, crítica e tradução. O projeto foi criado em 2008 e disponibiliza também teses, dissertações e estudos críticos. No site, ainda é possível assistir um vídeo sobre a vida do autor e sobre o contexto histórico em que ele viveu.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Revistas Acadêmicas

Tecnologias digitais preservam línguas

01/03/2012
Por Carlos Eduardo Lins da Silva
Agência FAPESP – Calcula-se que até o fim deste século cerca de 7 mil idiomas atualmente em uso no mundo poderão desaparecer definitivamente. Mas a tecnologia digital está sendo utilizada com grande eficácia para salvar diversas línguas ameaçadas de extinção.
A importância cultural de preservar o máximo possível dessas línguas é indiscutível. Quanto mais línguas forem bem conhecidas, melhor se compreenderá como o processo de conhecimento humano opera e como ele se codifica em padrões linguísticos. E o êxito de alguns experimentos recentes traz otimismo para essa empreitada.
Essa é a principal conclusão da apresentação feita durante a conferência anual da Associação Americana para o Desenvolvimento da Ciência (AAAS), realizada em fevereiro em Vancouver (Canadá), por cientistas responsáveis pelo projeto “Vozes Persistentes”, da National Geographic Society.
Embora as tecnologias digitais possam ser vistas como ameaça à diversidade de idiomas no mundo – por usar o inglês como uma língua quase universal, entre outras razões –, para o linguista K. David Harrison, professor da Faculdade Swarthmore na Pensilvânia (Estados Unidos), o uso dessas técnicas é que tem permitido a construção de “dicionários falantes” que poderão garantir a sobrevivência de muitas línguas que de outro modo estariam fadadas ao completo desaparecimento.
Harrison e colegas têm viajado a recantos remotos do planeta para localizar grupos pequenos que ainda falam fluentemente certos idiomas. Eles filmam, gravam e fotografam as pessoas e tentam fazer com que elas expliquem a sintaxe, a pronúncia e o significado das palavras utilizadas.
Com isso, os pesquisadores são capazes de montar o que chamam de “dicionários falantes”, que poderão ser utilizados não apenas como registro desses idiomas, mas também como ferramenta didática para ensiná-los a crianças e jovens.
Durante a reunião da AAAS oito desses dicionários, com um total de 32 mil verbetes, foram mostrados ao público pela primeira vez. Um deles é da língua Chamacoco, falada por cerca de 1.200 indígenas no norte do Paraguai que vivem basicamente de caça, pesca e coleta de frutos não plantados, sem praticamente acesso algum a tecnologias modernas.
Outros “dicionários falantes” apresentados foram dos idiomas Matukar Panau (Nova Guiné), Remo, Sora e Ho (Índia), Tuvan (falada por populações nômades da Sibéria e da Mongólia) e Siletz-Dee-Ni (de uma pequena tribo no Oregon, Estados Unidos).
Bud Lane III, integrante da tribo no Oregon, deu um depoimento por telefone em entrevista coletiva à imprensa em Vancouver sobre sua participação no projeto “Vozes Persistentes”. Ele disse que nunca esquecerá o dia, em 1980, em que alguns linguistas visitaram sua aldeia e disseram que a língua deles era “mórbida” e merecia acabar.
Desde aquele dia, Lane dedicou grande parte do seu tempo a tentar preservar a Siletz-Dee-Ni e encontrou os parceiros perfeitos em Harrison e seus colegas.
Lane contou que a língua começou a ser ameaçada quando, na metade do século 19, aborígenes de diversas culturas, forçados pela expansão do mundo branco, tiveram de abandonar seus locais de origem e se concentrar em Oregon, onde estavam os Siletz.
Para poderem se entender, todos passaram a se comunicar no jargão Chinook, que era mais disseminado do que as línguas nativas de todos os grupos. Com isso, mais a posterior adoção generalizada do inglês, os Siletz deixaram completamente de falar a sua língua, até que, cinco anos atrás, apenas Lane e mais uns poucos a praticavam.

Fonte: http://agencia.fapesp.br/15239 

UNESP lança 50 livros digitais gratuitos

Em 2010, 44 títulos foram publicados sob o selo Cultura Acadêmica
 
Por meio da Editora Unesp e da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (Propg), a Universidade lançará na quarta-feira (27/04) 50 livros virtuais gratuitos, já disponíveis aqui. Os títulos integram o selo Cultura Acadêmica e dão continuidade à Coleção Propg Digital, que oferece obras inéditas para download.

O lançamento será a partir das 9h na sede da Editora Unesp, em São Paulo, e terá mesa de abertura com a participação do vice-reitor no exercício da Reitoria, Julio Cezar Durigan; da pró-reitora de Pós-Graduação, Marilza Vieira Cunha Rudge; do diretor-presidente da Editora Unesp, José Castilho Marques Neto; e do seu editor executivo, Jézio Hernani Bomfim Gutierre. Após a mesa, o público terá acesso aos livros na "Degustação literária": 50 iPads estarão à disposição dos leitores na antessala do auditório, com a versão integral das obras lançadas.

Depois da "degustação" e ao longo do dia, os autores concederão entrevistas individuais para a Web TV, projeto da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC), Câmpus de Bauru. Cada entrevista terá 15 minutos e será dividida em dois blocos, o primeiro das 11h30 às 12h30, e o segundo, das 14h às 17 h. A Web TV também fará a transmissão ao vivo do lançamento pelo endereço www.unesp.br/tv .

A coleção teve sua primeira fase em 2010, quando foram lançadas 44 obras. Desde então, foram feitos mais de 50 mil downloads, em um total de cerca de 205 mil acessos. A meta do projeto é publicar mil títulos em dez anos, permitindo um amplo acesso à produção acadêmica da Unesp.

A Editora Unesp fica na Praça da Sé, 108, no Centro de São Paulo. O lançamento da Coleção Propg Digital será no 7º andar do auditório.

Obras e autores 

Veja a seguir a relação dos 50 títulos, com seus respectivos autores, de acordo com a área de cada obra:

História

As tradições gaúchas e sua racionalização na modernidade tardia - Caroline Kraus Luvizotto

Palmas, a última capital projetada do século XX: Uma cidade em busca do tempo - Valeria Cristina Pereira da Silva

Monteiro Lobato nas páginas do jornal: Um estudo dos artigos publicados em O Estado de S. Paulo (1913-1923) - Thiago Alves Valente

Representações do senado romano na Ab Unbe Condita Libre de Tito Lívio: Livros 21-30 - Marco Antonio Collares

Sacrificium Laudis: A hermenêutica da continuidade de Bento XVI e o retorno do catolicismo tradicional (1969-2009) - Juliano Alves Dias

Letras/Linguística

O rio e a casa: Imagem do tempo na ficção de Mia Couto
 - Ana Cláudia da Silva

Rumores da escrita, vestígios do passado: Uma interpretação fonológica das vogais do português arcaico por meio da poesia medieval - Juliana Simões Fonte

Relações de complementação no português brasileiro: Uma perspectiva discursivo-funcional - Liliane Santana

A Literatura dos Outros e os Outros da Literatura - Maria Heloísa Martins Dias / Sônia Helena de Oliveira Raymundo Piteri

O léxico em foco: Múltiplos olhares - Lidia Almeida Barros / Aparecida Negri Isquerdo

Língua e sociedade nas páginas da imprensa negra paulista: Um olhar sobre as formas de tratamento - Sabrina Rodrigues Garcia Balsalore

Figurações contemporâneas do espaço na Literatura - Sérgio Vicente Motta / Susanna Busato

Leitura e escrita como espaços autobiográficos de formação - Maria Rosa Rodrigues Martins de Camargo

Geografias do drama humano: Leituras do espaço em São Bernardo, de Graciliano Ramos, e Pedro Páramo, de Juan Rulfo - Gracielle Marques

Educação

Necessidades formativas de professores de redes municipais: Contribuição para a formação de professores crítico-reflexivos - Cristiano Amaral Garboggini di Giorgi / Maria Raquel Miotto Morelatti / Mônica Fürkotter / Naiara Costa Gomes de Mendonça / Vanda Moreira Machado Lima / Yoshie Ussami Ferrari Leite

Política de Educação no campo: Para além da alfabetização (1952-1963) - Iraíde Marques de Freitas Barreiro

Pesquisa em educação escolar: Percursos e perspectivas - José Milton de Lima / Divino José da Silva / Paulo Cesar de Almeida Raboni

Educação infantil: Discurso, legislação e práticas institucionais - Lucimary Bernabé Pedrosa de Andrade

Jovens, violência e escola: Um desafio contemporâneo - Joyce Mary Adam de Paula e Silva / Leila Maria Ferreira Salles

Aprendizagem e comportamento humano - Tânia Gracy Martins do Valle / Ana Cláudia Bortolozzi Maia

Pesquisa em educação: Métodos e modos de fazer - Marilda da Silva e Vera Teresa Valdemarin

A vigilância punitiva: A postura dos educadores no processo de patologização e medicalização da infância - Fabiola Colombani Luengo

Formação de professores: Limites contemporâneos e alternativas necessárias - Lígia Márcia Martins / Newton Duarte

Psicologia 

Saúde e desenvolvimento humano
 - Tânia Gracy Nartins do Valle e Lígia Ebner Melchiori

A depressão como "mal-estar" contemporâneo: Medicalização e (Ex)-Sistência do sujeito depressivo - Leandro Anselmo Todesqui Tavares

Natureza comportamental da mente: Behaviorismo radical e filosofia da mente - Diego Zílio

Comunicação

Televisão digital: Informação e conhecimento - Maria Cristina Gobbi / Maria Teresa Miceli Kerbauy

Gestão, mediação e uso da informação - Marta Valentim

Criação, proteção e uso legal da informação em ambientes da World Wide Web - Elizabeth Roxana Mass Araya / Silvana Aparecida Borsetti Gregório Vidotti

Música

Revisão crítica das canções para voz e piano de Heitor Villa-Lobos: Publicadas pela Editora Max Eschig - Nahim Marun

Abordagens do pós-moderno em Música: A incredulidade nas metanarrativas e o saber musical contemporâneo - João Paulo Costa do Nascimento

Geografia/Urbanismo 
Brasília, metropolização e espaço vivido: Práticas espaciais e vida quotidiana na periferia goiana da metrópole - Igor Catalão

Paisagens de consumo: São Paulo, Lisboa, Dubai e Seul - Silvia Aparecida Guarnieri Ortigoza

História do pensamento geográfico e epistemologia em Geografia
 - Paulo R. Teixeira de Godoy

Teatro/Dramaturgia

Traços épico-brechtianos na dramaturgia portuguesa: O render dos heróis, de Cardoso Pires, e Felizmente há luar!, de Sttau Monteiro - Márcia Regina Rodrigues

Projeto Comédia Popular Brasileira da Fraternal Companhia de Arte e Malas-Artes (1993-2008): Trajetória do ver, ouvir e imaginar - Roberta Cristina Ninin

Política/Ciências Sociais

Mulheres em foco: Construções cinematográficas brasileiras da participação política feminina - Danielle Tega

Política e identidade cultural na América Latina - José Luis Bendicho Beired / Carlos Alberto Sampaio Barbosa

Cultura contemporânea, identidade e sociabilidades: Olhares sobre corpo, mídia e novas tecnologias - Ana Lúcia de Castro

Caleidoscópio Político: As representações do cenário internacional nas páginas do jornal O Estado de S. Paulo (1938-1945) - Alexandre Andrade da Costa

Profissão: Assistente Social - Edméia Côrrea Netto

Suicídio revolucionário: A luta armada e a herança da quiméria revolução em etapas - Claudinei Cássio Rezende

Economia

Inovações tecnológicas e a complexidade do sistema econômico - Carolina Marchiori Bezerra

O Estado como empregador de última instância: Uma abordagem a partir das finanças funcionais - Guilherme da Rocha Bezerra Costa

Arquitetura/Design

Revolução histórica da Ergonomia no mundo e seus pioneiros - José Carlos Plácido da Silva / Luis Carlos Paschoarelli

Design, empresa e sociedade - Paula da Cruz Landim

Filosofia

Consciência e matéria: O dualismo de Bérgson - Jonas Gonçalves Coelho

Ciências/Matemática

Ensino de Ciências e Matemática III: Contribuições da pesquisa acadêmica a partir de múltiplas perspectivas - Fernando Bastos

Ensino de Ciências e Matemática IV: Temas de investigação - Nelson Antonio Pirola

Artes
Mulheres recipientes: recortes poéticos do universo feminino nas artes visuais- Flávia Leme de Almeida

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Livro: Metapoesia em Age de Carvalho: de Arquitetura dos ossos a Caveira 41

Editora: PAKA-TATU
Livro: Metapoesia em Age de Carvalho: de Arquitetura dos ossos a Caveira 41 
Autora: Agleice Marques Gama 

Crítica I
Na poesia de Age de Carvalho, Agleice estudou a metapoesia: poética ou fragmento(s) de poética no poema – ou até o poema-poética. O Romantismo era descaradamente narcísico: o eu lírico, objeto mais ou menos explícito do poema, era o poeta ou algum avatar do poeta – e nessa cena o leitor era o espectador convidado à adoração muda; o processo moderno é mais enxuto: foi-se Narciso, resta o poema, falando por si só, elaborando-se sem dono, marteau sans maître – e o leitor voyeur ainda está aí, do outro lado da página, escrutando a escura transparência das palavras. O impudor desencarnou-se, intelectualizou-se, mas permanece. Num sutil jogo erótico, o poema absconso exibe seu enigma e, interrogação nua (pois, como bem viu Agleice, essa poesia dispensa os véus do período, o drapeado da frase, poesia magra, sem gordura adjetival, óssea), provoca o decifrador e lhe diz: “despe minha nudez, se puder”. (...) O metapoema consiste em um poema objeto do poema, do mesmo modo que a função poética focaliza a própria mensagem, que, em um poema, é o poema mesmo. (Christophe Golder - Prof. Dr. da Universidade Federal do Pará) 

Crítica II
Para Roland Barthes, a crítica “é uma atividade de decifração do texto”. E, no livro Metapoesia em Age de Carvalho: de Arquitetura dos ossos a Caveira 41, Agleice Marques Gama faz isso com maestria, apresentando-nos um percurso coerente que nos conduz a um passeio pelas noções gerais sobre a lírica moderna, porém sem perder de foco seu objeto central de estudo: a metapoesia em poemas de Carvalho. A autora, dentre outros aspectos, comprova que a poesia trata da poesia, na exploração de outras vozes presentes no poeta: Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Paul Celan, Georg Trakl e Max Martins, a quem Carvalho considera seu mestre. A palavra em Carvalho age como a água, em permanente profusão de sentidos [na qual Agleice mergulhou], assim como esse poeta age em AGleicE, man & woman [para pensar num poema emblemático de Max Martins], em perfeita copulêtera. Boa Leitura! (Paulo Maués Corrêa – Prof. Mestre da Faculdades Integradas Ipiranga) 

O capítulo 1 de Metapoesia em Age de Carvalho: de Arquitetura dos ossos a Caveira 41 apresenta noções gerais sobre a Lírica dos Tempos Modernos, com conceituações ligadas, especificamente, à Modernidade e à Metapoesia, seguidas de uma explanação pautada na Modernidade e na Metapoesia em Age de Carvalho, Modernidade esta que não deve ser confundida com o Estilo Modernista, mas relacionada à poesia compelida a pensar em si mesma, com fragmentos poemáticos fundamentais para a compreensão temática carvalhiana, nos quais se percebe que o poeta dá fino acabamento, esclarece e, paradoxalmente, obscurece o discurso poético, muitas vezes intertextualizado interna e externamente por vozes de renome nas Literaturas Nacional e Internacional. Por conta disso, o capítulo 2 mostra a presença de vozes da Modernidade literária na metapoesia de Age de Carvalho, tais como de Georg Trakl e a sua poética enigmática, de Paul Celan e a sua economia verbal, de João Cabral de Melo Neto e a sua linguagem, de Carlos Drummond de Andrade e a sua poética e, para não citar todos, a afinidade poética com seu “mestre” Max Martins. Por fim, o capítulo 3 faz uma amostragem do repertório metapoético carvalhiano. Pedra, água e a própria palavra são palavras-chave, múltiplas em significados, que integram o léxico de Age de Carvalho e aparecem frequentemente na maioria dos seus poemas, de Arquitetura dos ossos (1980) a Caveira 41 (2003).

A AUTORA
Agleice Marques Gama possui graduação em Letras pela Universidade Federal do Para (UFPA), Especialização em Língua Portuguesa e Mestrado em Letras pela mesma Universidade. Desde 2007, atua como docente em regime modular no Instituto de Desenvolvimento Educacional do Pará (IDEPA) em parceria com a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Atualmente, é professora efetiva da Secretaria Executiva de Educação do Pará (SEDUC-PA) e doutoranda em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). agleicemarques@hotmail.com

O POETA
Age de Carvalho nasceu em Belém do Pará em 1958, formou-se em Arquitetura e reside há mais de 24 anos na Europa (Viena e Berlim), onde trabalha como Designer Gráfico. Lançou Arquitetura dos ossos (1980), A fala entre parêntesis (1982) – com o poeta Max Martins – e Arena, areia (1986) por editoras locais. Seus livros foram reunidos – os anteriores e mais Pedra-um – em 1990, pela editora Duas Cidades, sob o título de Ror. Publicou o poema Móbile: para Max e Max (1998), no livro Móbiles, em conjunto com Augusto Massi, poema este incluído em Caveira 41 (2003), livro publicado pelas editoras Cosac Naify e 7 Letras, o qual reúne os poemas escritos em dez anos, de 1991 a 2000, e difere dos anteriores pela extensão: são ao todo 77 poemas, um livro relativamente longo, do qual ele é também autor do projeto visual. Ainda em 2003, Age de Carvalho lançou a primeira antologia de seus poemas, Seleta, a qual conta com projeto gráfico e seleção feita por ele mesmo e publicação da editora paraense Paka-Tatu. Em março de 2006, em Berlim, lançou Sangue-gesang, seleção de poemas traduzidos para o alemão por Curt Meyer-Clason, com prefácio de Benedito Nunes resgatando toda a origem poemática de Age de Carvalho. Recentemente, publicou Trans (jan/2011), pelas editoras Cosac Naify e 7 Letras. Trans é totalmente dedicado ao poeta e amigo Max Martins, falecido em 2009, e inaugura uma fase de rememoração luminosa do poeta. É a clareza não ofuscada pela própria luz.

Título: Metapoesia em Age de Carvalho: de Arquitetura dos ossos a Caveira 41 
Autora: Agleice Marques Gama
Páginas: 132 ISBN: 978-85-7803-094-0
Lançamento: 11 de fevereiro de 2012
Local: BMT Livraria
Av. São Sebastião, 396
Centro Santarém – PA

Editora Paka-Tatu
Rua Oliveira Belo, 386, salas 8 e 9 Umarizal,
CEP: 66050-380, Belém-PA
Fone-fax: (91) 3242-5403
www.editorapakatatu.com.br

sábado, 28 de maio de 2011

Camilo Castelo Branco e sua novela mais conhecida: AMOR de PERDIÇÃO


Camilo Castelo Branco nasce na Encarnação, Lisboa, no dia 16 de março de 1825, e faleceu no dia 1 de Junho de 1890 em São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão. Era filho ilegítimo de Manuel Joaquim Botelho e Jacinta Maria. Passou a infância em Vila Real (Trás-os-Montes), depois da morte dos pais. Frequentou a sociedade portuense, dedicando-se ao jornalismo, e teve uma vida romanticamente agitada, desde vários casos amorosos e prisão. Sentindo-se cego, suicida-se com um tiro na cabeça na casa de São Miguel de Seide. Notabilizou-se com várias novelas, uma delas Amor de Perdição, adaptada diversas vezes ao cinema. É um dos maiores escritores portugueses do século XIX e o mais prolífico. Quase toda a sua obra ficcional se insere na corrente romântica, tendo feito algumas experiências que partilham certas características com a estética realista e naturalista, como Eusébio Macário (1879), A Corja (1880) e A Brasileira de Prazins (novela, 1883).
Principais obras: Os Pundonores Desagravados (poema satírico, 1845); O Juízo Final e O Sonho do Inferno (poema satírico, 1845); Agostinho de Ceuta (teatro, 1847); A Murraça (sátira, 1848); Maria, não me mates, que sou tua mãe (novela, 1848); O Marquês de Torres Novas (teatro, 1849); O Caleche (sátira, 1849); O Clero e o sr. Alexandre Herculano (polémica, 1850); Inspirações (poesia lírica, 1851); Anátema (novela, 1851); A Filha do Arcediago (novela, 1854); Mistérios de Lisboa (3 vols., novela, 1854); Livro Negro de Padre Dinis (2 vols., novela, 1855);Cenas Contemporâneas (1855); A Filha do Arcediago (novela, 1855); A Neta do Arcediago (novela, 1856); Onde está a felicidade? (novela, 1856); A Neta do Arcediago (1856); Um Homem de Brios (novela, 1857); Lágrimas Abençoadas (novela, 1857); Cenas da Foz (contos, 1857); Carlota Ângela (novela, 1858);O Que fazem Mulheres (novela, 1858); Vingança (novela, 1858); Doze Casamentos Felizes (contos, 1861); O Romance de um Homem Rico (novela, 1861); Amor de Perdição (novela, 1862); Memórias do Cárcere (2 vols., 1862); As Três Irmãs (1862); Coração, Cabeça e Estômago (novela, 1862); Coisas Espantosas (1862); Estrelas Funestas (novela, 1862); Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado (novela, 1863); O Bem e o Mal (novela, 1863); Anos de Prosa (1863); Estrelas Propícias (novela, 1863);Memórias de Guilherme do Amaral (novela, 1863); Agulha em Palheiro (novela, 1863); Amor de Salvação (novela, 1864); A Filha do Doutor Negro (novela, 1864); Vinte Horas de Liteira (contos, 1864); O Esqueleto (novela, 1865); A Sereia (novela, 1865); A Enjeitada (novela, 1866); O Santo da Montanha (1866); A Queda dum Anjo (novela, 1866); O Judeu (2 vols. Novela histórica, 1866); O Olho de Vidro (novela histórica, 1866); A Bruxa de Monte Córdova (novela, 1867); A Doida do Candal (novela, 1867); O Retrato de Ricardina (novela, 1868); Mistérios de Fafe (novela, 1868); Os Brilhantes do Brasileiro (novela, 1869); A Mulher Fatal (novela, 1870); Livro de Consolação (1872); A Infanta Capelista (novela, 1872; alterada por pressões políticas para O Carrasco de Victor Hugo José Alves, publicada no mesmo ano); O Regicida (novela histórica, 1874); A Filha do Regicida (novela histórica, 1875); A Caveira do Mártir (novela histórica, 1875); Novelas do Minho (1875-1877); Eusébio Macário (novela, 1879); A Corja (novela, 1880); A Brasileira de Prazins (novela, 1883); etc.  
Camilo Castelo Branco - gravura de Francisco Pastor

Nos links a seguir, você aprofundará seus conhecimentos sobre a novela passional camiliana: Amor de Perdição (1862)

Leitura completa ou download da novela no site Virtualbooks.terra.com.br
http://virtualbooks.terra.com.br/freebook/port/download/Amor_de_Perdicao.pdf

Uma pequena análise de Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco (1825-1890)
https://docs.google.com/document/d/1ReyMCImrWKITmDoUqlPxvJrRRUmQr9OVR-rO5ZFt_gY/edit?hl=pt_BR&authkey=CPqTi4UI

Boa leitura!!!



sexta-feira, 27 de maio de 2011

Identidade(s) docente(s) na era do letramento digital - Antonio Carlos Xavier (UFPE)

                                                      Link: http://youtu.be/N5xmqo-h3oI

Especialista tira dúvidas de internautas sobre qualidade de educação

O especialista em educação Gustavo Ioschpe participou de um bate-papo com internautas no site do Jornal Nacional. No resumo abaixo, você confere as perguntas e respostas .


Qual é o maior problema da educação no Brasil?
Infelizmente são vários problemas. A gente pode resumir em um tripé que eu costumo usar para falar sobre a educação brasileira, que é: formação dos professores, gestão escolar e práticas de sala de aula. São os três caminhos para a mudança e são as três áreas que parecem problemáticas hoje. E o quarto item que acho que também transpareceu nesta série de reportagens é a questão do comprometimento. A gente vê que, infelizmente, certas escolas, até por estarem inseridas em zonas de dificuldade, acabam desistindo do aluno com uma rapidez muito grande. As escolas que dão certo são aquelas que têm um comprometimento até o fim com o sucesso do aprendizado do aluno.

Quantos estados não cumprem a lei que determina o piso salarial dos professores?
Na verdade, que eu saiba, são dois estados: o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que ainda questionam juridicamente a aplicação do piso. Mas eu confesso que não tenho grandes esperanças de que a aprovação e implementação do piso em todos os estados vá trazer grandes alterações no quadro da educação brasileira.

O que o público pode exigir dos governos e como fiscalizar o cumprimento destas exigências?
Eu acho que a exigência tem que ser por educação de qualidade. As pessoas confundem um pouco a educação com o ato de estar na escola. Mas só ocorre educação e escola só merece o nome de escola se seus alunos estão efetivamente aprendendo. Acho que uma métrica boa e confiável é justamente o Ideb. Não é um índice perfeito, tem problemas, mas é um índice bastante transparente. É um índice muito bom, que foca em aprendizagem e aprovação e que está disponível para todas as escolas do Brasil. Tem a consulta muito fácil no site do INEP e está reproduzido aqui no site do Jornal Nacional.
O que me parece um caminho positivo de mudança e mobilização é que todos os pais e alunos, em primeiro lugar, se informem sobre o Ideb de sua escola e, ao notar que tenha um valor baixo, eu diria que abaixo de 5, que procurem entender o porque do Ideb estar baixo. Procurem um canal de comunicação com a direção da escola, com os professores e se isso não for suficiente para gerar mudanças concretas, que levem adiante suas reclamações ao secretário municipal ou estadual de educação. Me parece bastante surpreendente que não tenha tido no Brasil, pelo que eu saiba, nenhuma mísera manifestação ou passeata exigindo melhorias da qualidade da educação. Nós temos muitos movimentos da parte dos professores pela melhoria das suas questões profissionais, mas não me recordo de ter visto uma manifestação popular pela qualidade e efetividade da educação brasileira. Acho que o primeiro passo é se familiarizar com o Ideb, cobrar da sua escola e não parar de cobrar até que o resultado mude e a situação melhore.

Quais situações das escolas chamaram mais atenção durante a produção da série?
Duas situações chamaram bastante atenção, por razões opostas. A primeira foi uma escola de Belém do Pará que tem um Ideb muito baixo e há um clima de confusão e abandono que é realmente assustador. Chega ao ponto de não só ter uma paralisação há um mês e meio das aulas terem sido retomadas após a última greve, como os alunos não serem nem notificados disso. Como se não bastasse os alunos perderem este dia de aula, muitos deles fizeram realmente o papel de bobo de ir até a escola e se defrontar com salas vazias e a ausência total de professores. E o outro caso que me chamou bastante atenção foi uma escola em Goiânia que nós visitamos na quinta-feira (19) que é um caso impressionante do poder de recuperação que uma equipe de professores e especialmente uma diretora comprometida com mudanças pode ter. Como nós falamos na reportagem, era uma escola que, quando a atual diretora assumiu o cargo, tinha apenas 67 alunos e estava em vias de ser fechada. Então, esta diretora assumiu e insistiu para que a equipe fosse trocada e que só ficassem professores comprometidos com o aprendizado do aluno. E num prazo relativamente curto, de oito anos ou até menos, essa equipe conseguiu fazer com que os alunos tivessem um índice de aprendizado compatível com o que existe hoje nos países desenvolvidos. Então uma mensagem de uma escola que traz bastante desesperança, mas por outro lado temperada pela realidade de uma escola que nos enche de esperança e orgulho. E também saber que sem precisar de recursos financeiros diferenciados, sem estar em bairro rico ou utilizar tecnologias diferentes, unicamente com a competência, talento e comprometimento da equipe pode-se gerar sim uma educação brasileira compatível com a dos países desenvolvidos.

Como aplicar melhor os recursos do Fundeb?
A minha sugestão de utilização do Fundeb é algo que eu venho chamando de implementação de uma lei da responsabilidade educacional. Seria fazer com que as verbas do fundo deixassem de ser transferidas para a as escolas de acordo com um critério de necessidade financeira e mais por um critério de melhoria daquela escola. O Fundeb é um mecanismo que tem como objetivo a recuperação de áreas de grande miséria, mas quando mantidos no longo prazo, acabam gerando um ciclo em que não há nenhum incentivo na melhoria da qualidade. Acho que precisamos inverter esta lógica e fazer com que estes recursos sejam direcionados aos gestores que estejam mostrando através de resultados concretos, que seria a melhoria no Ideb. As escolas que tivessem maiores saltos receberiam as verbas do Fundeb de forma proporcional ao salto que aquela escola deu. É uma proposta que algumas pessoas consideram um pouco radical e é um pouco diferente da cultura do pensamento da educação brasileira. Mas acho que é hora de nos darmos conta de que o pensamento que a gente nutre sobre a educação no Brasil tem gerado resultados praticamente catastróficos. Então é hora de pensar diferente.

O salário dos professores é fundamental para a qualidade da educação?
Minha área de pesquisa é a economia da educação, que não se baseia em teorias ou opiniões e sim em resultados de estudos reais, com bancos de dados de milhares de casos e estabelecendo relações através de metodologias sofisticadas de estatística e econometria. E o que estes estudos revelam e são centenas, tanto no Brasil quanto no exterior, é que o salário do professor não é uma variável estatisticamente significativa ou relevante na determinação do aprendizado dos alunos. A partir de um certo patamar de salário atingido, e acho que no Brasil já foi atingido desde a época do Fundef, mudanças salariais não tem se transformado em melhorias da qualidade da educação. Mesmo para quem não queira ler os estudos econométricos, pode reparar que desde 1995, os salários dos professores vêm em um movimento contínuo de aumento. E a qualidade da educação está basicamente estagnada. As notas do sistema de avaliação do ensino básico hoje são praticamente as mesmas ou até menores do que eram em 1995. Me parece que há uma literatura muito vasta que aponta uma série de medidas, algumas das quais gratuitas, que têm muito impacto sobre o aprendizado dos alunos, por exemplo: dever de casa, avaliação constante e acompanhamento, utilizar material didático, ter livros e biblioteca dentro da escola, ter uma aula interativa, etc. Há uma série de itens que tem muito pouco custo e resultado comprovado. Como política pública, o Brasil deveria estar mais preocupado em implantar medidas que tenhamos relativa certeza de que terão resultado e custo relativamente baixo do que continuar insistindo no caminho do aumento do salário dos professores, que até hoje não se mostrou efetivo nem na história recente da educação brasileira e nem na literatura especializada.

Quando se fala em aumento dos professores, as pessoas veem esta questão por dois lados. Um é aumentar os salários dos professores que estão na ativa hoje para que eles se sintam mais motivados e tenham resultados melhores. E a segunda é aumentar significativamente o salário dos professores para que um novo grupo de pessoas seja atraído à carreira. Pessoas mais qualificadas e que poderiam gerar este salto na educação brasileira. Quanto ao primeiro argumento, citando novamente os estudos, eles mostram que não há essa relação. E o problema de aprendizagem não é na maioria dos casos falta de motivação do professor, mas em muitos casos falta de preparo, formação adequada, sistemas de gestão que iriam conduzir a esta melhora. Já em relação a atração de novas pessoas vejo dois problemas com este raciocínio. O primeiro dizer que 2 milhões de professores, hoje na ativa não prestam e que não há nada que se possa fazer com eles para que tenham um rendimento melhor. Eu rejeito este argumento. Acho que os professores brasileiros têm bastante vontade de acertar e em vários casos estão fazendo um belo trabalho. E a partir do momento que tenham uma formação correta, o resultado vai melhorar.

É uma saída municipalizar a educação no Brasil?
Eu acredito que em termos de formato, a municipalização, principalmente das séries iniciais é o caminho correto. Mas não sou uma pessoa que acredita no formalismo da lei para mudar uma realidade social e política. Enquanto não houver comprometimento e preparo das pessoas que estão do lado de lá da sala de aula, ou seja, professores e diretores, e enquanto não existir demanda e exigência do lado de cá, dos pais e alunos, a situação vai continuar na inércia. O que fica claro é que esta falta de demanda por uma educação de qualidade faz com que haja uma acomodação muito grande das pessoas que estão do lado de lá: dos professores, diretores e especialmente das lideranças políticas. No Brasil, temos a cultura de que quando há um problema precisamos criar uma lei para resolvê-lo. Por exemplo, quando se criou a vinculação orçamentária, onde 18% do orçamento da União e 25% dos orçamentos de estados e municípios fossem gastos em educação, se imaginava que isso iria garantir para todo o sempre que não faltaria dinheiro para a educação. Mas o que acontece é que como não há uma demanda por educação de qualidade, esse dinheiro pode até estar sendo gasto em educação, mas não traz os resultados necessários. Me parece que um caminho indispensável para a melhoria é gerar a demanda por melhorias na qualidade da educação por parte do grande público

Link da matéria: http://g1.globo.com/platb/jnespecial/

Ensino médio é o que menos evoluiu no Brasil ao longo dos anos

Dos alunos que terminam o ensino médio no Brasil, só 28% aprendem o conteúdo de português e apenas 11%, o de matemática. Mas, até 2016, ele será obrigatório para todos os adolescentes de até 17 anos.
O ensino médio, no Brasil, tem os maiores índices de abandono na comparação com outras etapas da educação. É o que Alan Severiano mostra na terceira reportagem da série que o Jornal Nacional exibe nesta semana. O sonho de virar advogada vai ter de esperar. Aos 17 anos e grávida de cinco meses, Polyana abandonou o segundo ano do ensino médio em uma escola do interior do Piauí: “Eu vou ter a criança e não vou poder sair toda hora pra amamentar”, conta. A notícia desapontou o pai, que só sabe escrever o nome, e a mãe, que parou na sexta série: “Tem que chegar mais longe do que a mãe conseguiu. Por mim, ela estaria na escola ainda”, diz a mãe de Polyana. Polyana contribui para uma estatística desanimadora no Brasil: a da evasão. De cada dez alunos que entram no primeiro ano do ensino fundamental, só metade conclui o ensino médio até 19 anos. E a estatística já leva em conta dois anos de atraso. Muitos começam faltando: em uma escola, 30% abandonaram a sala de aula no ano passado. “Chega aqui, tem dois, três professores, ou então tem as duas primeiras aulas, ai não tem a 3ª, 4ª, 5ª, ou então tem só a 3ª, a 4ª, a 5ª, esse aluno termina desistindo”, diz o diretor da escola, José Basílio. Lá, quem escreve no quadro, não é a professora. “Ela foi embora, deixou os alunos sem aula, sem nada. Ai eu assumi a responsabilidade, eu sou a líder da sala e assumi”, conta a aluna do primeiro ano do ensino médio Mariana Barbosa. Um mês depois do início das aulas, ainda faltavam seis professores para completar o quadro. “Já chegou o período de provas e os professores ainda não chegaram. O de química e o de informática”, afirma a aluna Ana Paula Oliveira. Os computadores, sem acesso à internet, passam o dia desligados. Nem na biblioteca é possível pesquisar. A preocupação de muitos é o vestibular. “Acho que não tem nem uma mínima possibilidade de competir com os outros alunos desse jeito”, conta Kananda Teixeira. O Piauí é o estado com o pior desempenho no ensino médio. Nota 3 no Ideb, o indicador de qualidade do Ministério da Educação. Ao chegar em uma escola da zona norte de Teresina, que tinha sido previamente avisada sobre a entrevista, a equipe foi surpreendida por uma reforma relâmpago que começou no próprio dia da visita. Ao todo, 17 homens foram contratados para limpar, pintar, trocar as telhas da escola. Até carteiras novas chegaram. “Disseram que vinha fazer uma reportagem e acharam melhor filmar mais limpinho desse jeito”, conta o mestre de obras Antonio Rodrigues Neto. Se a estrutura física pode ser remendada, o que de fato dá significado à escola talvez exija uma reforma mais complexa. “São aulas muito chatas, aulas que a gente prefere ficar fora da sala do que estar dentro assistindo”, explica Thomás de Aquino Neri, de 20 anos. De manhã, a maioria é jovem. À noite, adultos que trabalham. Como falar para turmas tão diferentes? “Tem toneladas de matérias que abordam de todos os assuntos possíveis. Não é todo mundo que precisa aprender tudo”, explica Ana Lucia Lima, diretora do Instituto Paulo Montenegro. “A gente percebe que nem todo mundo acompanha o raciocínio”, conta um professor. Dos alunos que terminam o ensino médio no Brasil, só 28% aprendem o conteúdo de português e apenas 11%, o de matemática. “Tem coisas que eu não sei onde eu vou usar. E aí desestimula”, diz um aluno. O ensino médio é o que menos evoluiu no Brasil e tem os piores indicadores. Até 2016, ele será obrigatório para todos os adolescentes de até 17 anos. Isso significa que, além de melhorar a qualidade, as escolas terão de se preparar para receber mais gente. Se a lei fosse cumprida hoje, seria necessário criar três milhões de vagas. No Piauí, muitas escolas estão fechando turmas à noite, segundo o governo, por falta de procura. O ministro da Educação diz que o maior desafio para atrair os alunos é fazer com que os estados adotem um novo currículo. O atual, muito voltado para o vestibular, já foi substituído em 700 escolas. “Nós temos ainda um mal no Brasil que é o vestibular. Nós precisamos superar isso, ter um currículo mais enxuto, mais equilibrado, do ponto de vista das disciplinas, e que ofereça também perspectivas na direção da cultura e do trabalho”, diz Fernando Haddad. Quem está na escola tem pressa. O futuro depende de botar em prática uma palavra de nove letras. A Secretaria de Educação e Cultura do Piauí informou que ampliou a equipe de engenheiros e criou uma comissão de vistoria para melhorar a situação das escolas. Na semana passada, o Conselho Nacional de Educação aprovou novas diretrizes para o ensino médio, inclusive a flexibilização do currículo, citada pelo ministro Fernando Haddad na reportagem, e uma ampliação da carga horária. A palavra final nessas possíveis mudanças caberá ao ministério.
Reportagem do JORNAL NACIONAL
Link: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/05/ensino-medio-e-o-que-menos-evoluiu-no-brasil-ao-longo-dos-anos.html

segunda-feira, 23 de maio de 2011

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